CLT vs PJ: O STF Decide em 2026 o Futuro de 12,9 Milhões
A divisão mais profunda do mercado de trabalho brasileiro não é entre empregados e desempregados — é entre CLT e PJ. De um lado, 47,6 milhões de trabalhadores formais com carteira assinada, protegidos por um arsenal de direitos trabalhistas: 13.º salário, férias de 30 dias, FGTS, INSS, vale-refeição. Do outro, 12,9 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs), muitos dos quais não são empreendedores por escolha, mas trabalhadores forçados a abrir CNPJ porque o empregador recusou a contratação CLT. A pejotização — a prática de disfarçar vínculo empregatício como prestação de serviços — é o elefante na sala da economia brasileira.
O cálculo é simples e perverso: um trabalhador CLT que ganha R$5.000 brutos custa à empresa R$8.500-10.000 com encargos. O mesmo trabalhador como PJ recebe R$6.500-7.000 na nota fiscal — mais no bolso imediato — mas sem 13.º, sem férias pagas, sem FGTS, sem seguro-desemprego, sem proteção contra despedida sem justa causa. Quando adoece, não ganha. Quando é dispensado, não tem rede de proteção. O 'aumento salarial' do PJ é, na prática, uma transferência de risco do empregador para o trabalhador.
Retrato do Brasil — Dados 2026
Tech · Mercado de Trabalho · Skills Mismatch
Engenheiro de IA: R$27 Mil/Mês Mas Júniors Não Conseguem Entrar
O mercado tech brasileiro vive a sua própria versão do paradoxo nacional: nunca houve tanta demanda por profissionais de tecnologia — a Brasscom projeta um déficit de 530 mil especialistas até 2025 — e, simultaneamente, nunca foi tão difícil para um júnior conseguir a primeira vaga. Os bootcamps produziram uma geração de candidatos com 6 meses de formação a competir por vagas que exigem 3+ anos de experiência. O resultado é uma polarização brutal: séniores em IA ganham R$27 mil por mês enquanto júniors enviam centenas de currículos sem resposta.
A crise do júnior no r/brdev é o tema mais recorrente e mais amargo do fórum. Desenvolvedores recém-formados reportam 200, 300, 500 candidaturas sem sequer uma entrevista. As empresas, pressionadas por margens e pelo custo do onboarding, eliminaram quase completamente as posições de entrada. O caminho que funcionou em 2019 — bootcamp → estágio → júnior → pleno — colapsou. Quem entra hoje fá-lo via programas de trainee ultraseletivos, indicação direta, ou projetos open-source que demonstram competência real.