O Inferno do Gupy: 30 Milhões na Caixa Preta Algorítmica
O Gupy tornou-se sinónimo do processo de recrutamento brasileiro. Com mais de 30 milhões de perfis registados e 4.000 empresas clientes — incluindo Itaú, Ambev, Magalu e Vivo — é virtualmente impossível candidatar-se a uma vaga em grande empresa sem passar pelo seu filtro algorítmico. Mas a plataforma que prometia democratizar o acesso ao emprego tornou-se, segundo milhares de candidatos, uma caixa preta impenetrável que bloqueia talentos qualificados sem explicação.
No Reclame Aqui, as queixas contra o Gupy seguem um padrão preocupante: candidatos com qualificações acima do exigido reportam status de 'Em Análise' durante meses, sem qualquer resposta ou feedback. Profissionais com 10+ anos de experiência descrevem candidaturas a posições júnior que nunca saem do limbo algorítmico. O consenso nos fóruns é brutal: o Gupy não seleciona os melhores candidatos — seleciona os que melhor conhecem as palavras-chave do algoritmo.
O modelo de negócio do Gupy cria um conflito de interesses fundamental: a plataforma é paga pelas empresas, não pelos candidatos. O incentivo é filtrar o máximo possível para reduzir o volume que chega aos recrutadores — independentemente da qualidade dos candidatos eliminados. Os testes cognitivos e comportamentais integrados avaliam conformidade algorítmica, não competência real. E a ausência total de feedback deixa os candidatos sem informação para melhorar.
Para quem procura emprego no Brasil em 2026, dominar o Gupy não é opcional — é uma competência de sobrevivência. Isto significa: otimizar o currículo com palavras-chave exactas do anúncio, completar todos os testes disponíveis na plataforma (mesmo que pareçam irrelevantes), gravar vídeos de apresentação com confiança calibrada, e candidatar-se rapidamente (as primeiras 48 horas têm peso algorítmico). O sistema é injusto, mas ignorá-lo é pior.