🇧🇷 Brazil Edition / Economia · Salários
Economia · Salários

Salário Mínimo R$1.518 — O Que Muda na Prática em 2026

CareerPMI Brazil · Sábado, 22 de Fevereiro de 2026
Brazilian currency notes and coins on a table representing wages and economy
Economia e Salários no Brasil / Unsplash

O salário mínimo brasileiro subiu para R$1.518 em janeiro de 2026, um aumento de 7,5% em relação aos R$1.412 de 2025. O reajuste segue a política de valorização real que combina inflação (INPC) com crescimento do PIB, e na superfície parece uma vitória para os trabalhadores. Mas quando se abre o contracheque e se olha para o preço do arroz, do aluguel e do transporte público, a realidade é mais complicada. O ganho real — descontada a inflação acumulada de 4,8% — é de apenas 2,7%. Para os 59 milhões de brasileiros cujos rendimentos estão diretamente atrelados ao mínimo, isso significa R$7,50 a mais por dia. O preço de um café com pão na padaria.

O efeito cascata do novo mínimo, porém, é o que realmente importa para o mercado de trabalho. Aproximadamente 24 milhões de beneficiários do INSS — aposentados e pensionistas — recebem um salário mínimo. O abono salarial do PIS/PASEP, o seguro-desemprego, o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e as contribuições do MEI são todos indexados ao mínimo. Quando o piso sobe, o custo fiscal sobe junto: o governo federal estima um impacto de R$39 bilhões adicionais no orçamento de 2026. Esse número não é abstrato — é a razão pela qual o debate sobre o arcabouço fiscal e o teto de gastos voltou ao centro da política econômica.

Modern office buildings and corporate towers in a Brazilian city
Distrito Empresarial Brasileiro / Unsplash
" O mínimo subiu R$106. Meu aluguel subiu R$150. A conta não fecha — e o RH sabe disso quando oferece 'salário compatível com o mercado'.

Para as empresas, o impacto é duplo. Primeiro, o custo direto: quem emprega trabalhadores na faixa do mínimo — comércio, serviços, construção civil, agricultura — vê a folha de pagamento subir automaticamente. Com encargos CLT (FGTS, INSS patronal, férias, 13.o), um funcionário que ganha o mínimo custa entre R$2.400 e R$2.800 por mês para o empregador. Em um supermercado com 50 funcionários nessa faixa, são R$5.300 a mais por mês na folha — R$63.600 por ano. Para o pequeno empresário com margens apertadas, essa conta pode significar a diferença entre contratar mais um funcionário ou investir em automação.

Segundo, o efeito compressão salarial. Quando o piso sobe, os salários intermediários ficam espremidos. O assistente administrativo que ganhava R$1.800 — um diferencial de R$388 sobre o mínimo anterior — agora está a apenas R$282 do novo piso. A pressão para reajustar toda a pirâmide salarial é inevitável, mas poucas empresas têm orçamento para fazê-lo. O resultado: profissionais com 3-5 anos de experiência ganham proporcionalmente menos em relação ao piso do que ganhavam em 2023. As convenções coletivas de 2026 já refletem essa tensão, com sindicatos exigindo reajustes de 8-10% para categorias acima do mínimo.

No recrutamento, o novo mínimo muda o cálculo do candidato. Com o seguro-desemprego pagando entre R$1.518 e R$2.313 por cinco meses, a diferença entre ficar em casa e aceitar um emprego que paga R$1.800-2.000 diminuiu. Não é que o brasileiro não quer trabalhar — é que a matemática do custo de deslocamento (média de R$300/mês em transporte nas capitais), alimentação fora de casa e desgaste físico torna certas vagas economicamente irracionais. As empresas que insistem em oferecer o mínimo sem benefícios competitivos estão descobrindo que o conceito de "salário de reserva" não é teoria acadêmica — é a realidade do trabalhador fazendo conta no papel.

Para quem está negociando salário em 2026, os números são claros: o ganho real do mínimo foi de 2,7%, mas a inflação de serviços — que inclui aluguel, plano de saúde e educação — fechou 2025 em 6,2%. Qualquer proposta salarial que não supere 6% de reajuste é, na prática, uma redução de poder de compra. Os setores que mais contratam no mínimo — varejo, alimentação, limpeza, logística — são exatamente os que enfrentam maior turnover. Empresas como Magazine Luiza, iFood e Grupo Pão de Açúcar já responderam com pacotes de benefícios que vão além do salário: vale-alimentação de R$600+, convênio médico, Gympass e programas de capacitação. O mínimo deixou de ser suficiente como proposta de valor — agora é apenas o ponto de partida.

A contribuição do MEI também subiu: de R$75,90 para R$81,90 mensais (5% do mínimo). Para os 12,9 milhões de microempreendedores individuais, muitos operando com margens mínimas, cada real conta. O impacto é particularmente duro para motoristas de aplicativo, manicures, eletricistas e outros profissionais autônomos cujos rendimentos não aumentaram na mesma proporção. O governo prometeu ampliar o teto do MEI de R$81 mil para R$130 mil anuais, mas o projeto segue travado no Congresso. Enquanto isso, milhares de microempreendedores operam no limite ou migram para a informalidade completa para fugir da contribuição.

Market Snapshot — Salário Mínimo 2026

Salário Mínimo 2026 R$1.518/mês
Reajuste Nominal +7,5% (R$106)
Ganho Real +2,7%
Brasileiros no Piso 59 milhões
Impacto Fiscal Estimado R$39 bilhões
Contribuição MEI R$81,90/mês
Read Next
Direito do Trabalho · STF · Economia Informal
CLT vs PJ: O STF Decide em 2026 o Futuro de 12,9 Milhões
Tendências · Trabalho Remoto
Home Office vs Presencial — A Guerra Silenciosa do RH Brasileiro
← Back to Brazil Edition
Get daily Brazil market intelligence
Try SUAR — Interview Preparation →